quinta-feira, 22 de agosto de 2013

Bailarina Quebrada

A bailarina encantada
em seu belo mundo dançou
Até seus pés sangrarem
Até sua consciência se apagar
Com sua alegria, sorriu,
até seu mundo desabar

Bailarina quebrada
em um novo mundo acordou
Onde tudo era escuro e morto
amargo e sombrio
Onde a vida se escondia
Onde só havia dor
Onde não sobrara uma gota de amor

Bailarina quebrada
não adianta resistir
este mundo agora é seu
vais viver somente aqui
Até o fima de seus dias
Até o sufocar de suas noites
Sempre neste mundo torto e cinza
Infestado de desespero e caos

Bailarina quebrada
Se tornou cinza de vez
O tom carmesim sujando sua palidez
Sujando seu mundo cinza
colorindo seus mais desesperados
sonhos e desejos

Bailarina quebrada
que pálida e vermelha ficou
Não resistiu ao mundo das dores
e se apagou
Foi-se para o além desconhecido
e nunca mais voltou.

10/07/13

segunda-feira, 29 de julho de 2013

Pensamentos sobre uma viagem Pt3.

Voltei a encontrar a garota que tanto apareceu nos meus sonhos.
Vou começar a dormir menos e a viver mais.

O Jogo (aka. Pensamentos sobre uma viagem Pt2)

"Você não veio para salvá-la,
  mas ela que veio te salvar"
O jogo já estava acabado.
O jogo já era para ter acabado.
Mas,
  de alguma forma,
  isso não aconteceu.

Tal qual aqueles jogos dantescos
  onde o personagem muda de nome (e personalidade)
mas continua com a mesma skin,
  o meu jogo ganhou um novo capítulo.

Em meio a tantos pensamentos e sentimentos,
  só tenho algo a dizer:
"muito obrigado, Nescau"

Pensamentos sobre uma viagem Pt1.

-Assustado?
-Preocupado.
-...
-Ela absurdamente igual e infinitamente diferente. É desconfortante.
-Você pode escolher, se apegar às semelhanças ou às diferenças.
-Você sabe muito bem o que devo escolher.
-E você não sabe realmente o que quer escolher.

sexta-feira, 26 de julho de 2013

Somos derrubados por aquilo que  não conseguimos imaginar.
Somos derrubados por aquilo que imaginamos e mas não nos preparamos.
Somos derrubados por aquilo que deixamos nos derrubar.
Somos derrubados, principalmente, por nós mesmos.

quinta-feira, 25 de julho de 2013

Dancem macacos dancem


Há bilhões de galáxias no universo observável
E cada uma delas contém centenas de bilhões de estrelas
Em uma dessas galáxias
Orbitando uma dessas estrelas
Há um pequeno planeta azul
E este planeta é governado por um bando de macacos
Mas esses macacos não pensam em si mesmos como macacos
Eles nem sequer pensam em si mesmos como animais
De fato, eles adoram listar todas as coisas que eles pensam separá-los dos animais:
Polegares opositores
Autoconsciência
Eles usam palavras como Homo Erectus e Australopithecus
Você diz to-ma-te, eu digo to-ma-ti.
Eles são animais, certo?
Eles são macacos
Macacos com tecnologia de fibra ótica digital de alta velocidade
Mas ainda assim macacos
Quero dizer, eles são espertos, você tem que conceder isso
As pirâmides, os arranha-céus, os jatos, a Grande Muralha da China
Isto tudo é muito impressionante
Para um bando de macacos
Macacos cujos cérebros evoluiram para um tamanho tão ingovernável que agora é bastante impossível para eles ficarem felizes por muito tempo
Na verdade, eles são os únicos animais que pensam que deveriam ser felizes
Todos os outros animais podem simplesmente ser
Mas não é tão simples, para os macacos
Pois os macacos são amaldiçoados com a consciência
E assim os macacos têm medo
Os macacos se preocupam
Os macacos se preocupam com tudo
Mas acima de tudo com o que todos os outros macacos pensam
Porque os macacos querem desesperadamente se encaixar
Com os outros macacos
O que é bem difícil, porque a maior parte dos macacos se odeia
Isto é o que realmente os separa dos outros animais. Estes macacos odeiam
Eles odeiam macacos que são diferentes
Macacos de lugares diferentes
Macacos de cores diferentes
Sabe, os macacos se sentem sozinhos
Todos os seis bilhões deles
Alguns dos macacos pagam outros macacos para ouvir seus problemas
Os macacos querem respostas
Os macacos sabem que vão morrer, então os macacos fazem deuses
E os adoram
Então os macacos começam a discutir quem fez o deus melhor 
E os macacos ficam irritados, e é quando geralmente os macacos decidem que é uma boa hora de começar a matar a uns aos outros
Então os macacos fazem guerra
Os macacos fazem bombas de hidrogênio
Os macacos têm o planeta inteiro preparado para explodir
Os macacos não sabem o que fazer
Alguns dos macacos tocam para uma multidão vendida de outros macacos
Os macacos fazem troféus e então eles os dão para si mesmos
Como se isto significasse algo
Alguns dos macacos acham que sabem de tudo
Alguns dos macacos lêem Nietzsche
Os macacos discutem Nietzsche
Sem dar qualquer consideração ao fato de que Nietzsche
Era só outro macaco
Os macacos fazem planos
Os macacos se apaixonam
Os macacos fazem sexo
E então fazem mais macacos
Os macacos fazem música
E então os macacos dançam
Dancem, macacos, dancem!
Os macacos fazem muito barulho
Os macacos têm tanto potencial, se eles pelo menos se dedicassem...
Os macacos raspam o pêlo de seus corpos numa ofensiva negação de sua verdadeira natureza de macaco
Os macacos constroem gigantes colméias de macacos que eles chamam de "cidades"
Os macacos desenham um monte e linhas imaginárias na terra
Os macacos estão ficando sem petróleo, que alimenta sua precária civilização
Os macacos estão poluindo e saqueando seu planeta como se não houvesse amanhã
Os macacos gostam de fingir que está tudo bem
Alguns dos macacos realmente acreditam que o universo inteiro foi feito para seu benefício
Como você pode ver, esses são uns macacos atrapalhados
Estes macacos são ao mesmo tempo as mais feias e mais belas criaturas do planeta
E os macacos não querem ser macacos
Eles querem ser outra coisa
Mas não são

quarta-feira, 24 de julho de 2013

Se eu fosse um escritor pt1

Se eu fosse um escritor,
   eu iria escrever uma novela muito legal.

Essa novela teria um ponto de encontro
  onde as pessoas se reúnem regularmente.

Ela seria recheada de esteriótipos:
  o rapaz nerd mimado e muito feio,
  os rapaz nerds pouco mimados e de aparência mediana;
  as meninas fofinhas e bonitinhas mas que adoram coisas assustadoras;
  a moça solitária, mas que descobre o poder da amizade;
  a garota que parece ser extremamente promíscua;
  os pais que erraram muito com o filho (apesar de também terem acertado bastante),
       na tentativa de acertar;
  e uma paixão que deu errada no passado.

E eu tentaria quebrar esses esteriótipos:
   faria o rapaz nerd ter um emprego onde ele obedece muitas ordens;
   faria cada nerd ter uma história única, com seus medos e traumas;
   deixaria as meninas namorarem caras extremamente normais (para não dizer sem sal);
   observaria a moça solitária ser traída pela amiga;
   faria a garota promíscua ser muito bondosa e caridosa e mostraria que ela só age assim por
     revolta com os pais;
   daria um jeito de mostrar para todos que os pais não tem culpa pelo comportamento do filho;
   e não daria um final feliz para a paixão ou os membros apaixonados.

Pensando melhor, ainda bem que eu não sirvo para escrever.
Definitivamente, essa novela não teria muita graça para qualquer pessoa que tem olhos, mas não vê.

100 posts

Caralho, eu não acredito que eu tinha tanta coisa para falar ou escrever D:
Prometo um dia fazer a seleção dos meus textos favoritos, ou não...

sexta-feira, 19 de julho de 2013

Lembranças

Eles se lembraram de dizer que você acabaria caindo
    (e teria que achar forças para se levantar),
Eles se lembraram de dizer que você decepcionaria os outros
    (e teria que pensar em formas de lidar com isso),
Eles se lembraram de dizer que você perderia o seu chão, se magoaria, choraria e pensaria em desistir de tudo (mais ainda).

Mas existe uma coisa que eles não disseram,
    que você passaria por tudo isso em menos de duas semanas...

quinta-feira, 11 de julho de 2013

Começando

4º dia após conversa.
Primeiro dia que acordo no horário.
Não tem sido fácil,
sinto meu tempo escorrendo pelos dedos e
sinto meu dinheiro escorrendo pelos dedos.
Às vezes penso, apenas penso,
que minha sanidade também está correndo pelos meus dedos...

A vida se tornou mais fácil depois de admitir algumas coisas:
- estou depressivo;
- estou sem forças;
- preciso de ajuda;
- tenho problemas com meus pais;
- meus problemas com meus pais me afetam diretamente.

A vida se tornou mais fácil depois de fazer algumas coisas:
- admitir que tenho problemas;
- procurar ajuda;
- fazer um cronograma;
- seguir o cronograma;
- arranjar uma ocupação.

Se isso dará certo?
Eu não sei...
E que Deus tenha piedade de minha alma.

quarta-feira, 3 de julho de 2013

Pensamentos do banho

- Você acha que isso vai dar certo?
- Só vou descobrir se eu tentar.
- Você viveu sob a pressão dos pensamentos dos outros, sob a pressão do que VOCÊ achou que era o pensamento dos outros por vários anos. Acho que não precisamos tentar para saber o resultado.
- E o que você quer que eu faça? Que eu me afunde tocando punheta para a lua e deixando minha vida escorrer pelos meus dedos?
- Claro que não. Não quero que você nos afunde, quero que você aja da forma correta.
- E qual é a forma correta?
- Como assim? Você não sabe? Você percorreu vários quilômetros em busca da resposta. Quando você encontrou, você a ignorou. Você sabe o que tem que fazer.
- Mas, eu não me motivo.
- Então use aquele forno que você tanto olho nos seus momentos de angústia ou quando você não está chapado.
- Não! Isso eu não quero. Eu quero viver.
- Então escolha viver, mas escolha viver de verdade.  Não essa vida meia boca que você vem levando. Busque vencer uma batalha por dia, busque vencer a verdadeira vitória.
As duas vozes, falam em uníssono - A vitória sobre mim mesmo.

quarta-feira, 12 de junho de 2013

Crônicas Vampirescas - O Sonho - Pt. 2


Após acordar em um lugar que mais parecia a arena de um torneio, encontrar um cosplay de Yukina e enfrentar um cosplay de Kuwabara de Yuyu Hakusho, nosso herói Kuwabara recebeu uma espada energética na cabeça. Será esse o fim do herói de conto mais querido desse blog? O que será que existirá no outro lado da não-vida vampírica? Será que ele vai parar para pensar sobre o quão estranha é toda essa situação? Não percam as cenas do próximo capítulo de Crônicas Vampirescas
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Abri os olhos. Estava em um lugar. Tudo escuro. Coloquei a mão na minha cabeça, onde a lâmina havia acertado e não senti nenhuma marca. Isso é bom. Não sei se é por causa de alguma relação com a minha condição vampírica, mas acredito que estar morto não é tão diferente de estar vivo. Bem, ao menos tão vivo quanto um vampiro está vivo e o fato de eu já estar meio morto ajudou bastante no fato de eu aceitar o fato de eu me tornar totalmente morto.
Dei uma olhada em todo o mundo que me cerca e notei que apesar de toda a escuridão, eu conseguia ver uma pequena criança (adolescente?) de cabelos verdes agachada, cutucando alguma coisa com um pedaço de graveto. Me aproximei e me agachei ao lado dela. Ela se virou para mim e perguntou:
- Você realmente acha que isso é a morte?
- Sim. Não o é?
Ao invés de responder a minha pergunta (ao que parece que ninguém se importa muito em responder as minhas perguntas), ela pegou na minha mãe e disse: - Venha, quero te mostrar algo.



Senti uma forte vertigem e o mundo ao meu redor começou a se dissolver e ganhar nova forma. Um dia ensolarado foi se formando. Estávamos no parque do Ibirapuera. No instante em que vi as pessoas passando, lembrei-me do dia. 
Foi uma passeio que eu fiz com a minha família quando eu tinha 6 anos. Pude relembrar bem todas as cenas e todas as situações. Eu indo com a minha família, o passeio no parque, mamãe me ensinando a rezar, meus irmãos preparando o picnic e o gato. 
Nesse dia, durante a volta, encontramos uma garotinha chorando porque tinha perdido o gatinho dela. Por acreditar na importância de fazer boas ações e de cultivar um bom karma, minha mãe decidiu que nós iríamos ajudar aquela garota. 
Começamos o trabalho e após uns 40 minutos de busca, fui eu quem o encontrou. Ele estava no topo de uma árvore. Ao avistá-lo, decidi subir na árvore para buscá-lo e consegui fazer com que ele descesse.
Após o gato ir para o chão, lembrei que eu tinha medo de altura e comecei a chorar por medo de ficar preso e ser abandonado ou cair. As últimas imagens dessa cena – antes do ambiente se dissolver – foi de o meu pai subindo na árvore para me resgatar e minha irmã mais velha me caçoando pois "o grande herói precisou ser salvo".
Enquanto aquela cena se desfazia a Cabelos Verdes disse: - Quando você era pequeno, você se importava mais com os outros do que com você mesmo. Essa era uma das suas fontes de forças.


A cena seguinte é de uma conversa que eu tive com o meu pai, quando ele foi me dar boa noite e estava tentando explicar conceitos complexos sobre a vida, o universo e tudo mais. Eu tinha 9 anos. Três mendigos haviam pedido esmola para o meu pai. Para um ele deu comida, para o outro dinheiro e para o terceiro ele deu uma bronca e ralhou muito. Eu não entendia a diferença de reações.
Com muita paciência ele tentou mostrar que mundo não era dividido por pessoas totalmente boas e pessoas totalmente más. Cada pessoa tinha as suas motivações e precisávamos saber lidar com cada uma delas. Pois uma pessoa pode pedir dinheiro porque precisa comprar comida, a outra pode mentir porque quer bebida e uma terceira pode pedir porque não reconhece a sua capacidade.
Um pouco antes de dormir, já meio sonolento, perguntei: - Pai, o que é que faz um herói?
- Essa é uma pergunta difícil de responder. Você precisará buscar a sua resposta. Para mim, herói é aquele que defende os mais fracos daqueles que são mais fortes e querem abusar dessa força. Mas nem sempre é fácil saber quem é o mais fraco, ou quando você deve tomar em uma disputa. É sempre bom ouvir o seu coração para saber o que você deve fazer.
Então, mais uma vez o mundo se desfez e eu ouvi a voz infantil e feminina: - Quando não souber como agir ou que lado tomar, ouça o seu coração. Desse modo, você agirá conforme o que você acha ser o certo.


Mudamos para uma das cenas que eu jamais esqueci e que eu acredito que jamais. Eu com 11 anos, arrumando as cadeiras do glorioso Kuwabara's sushi - A melhor comida oriental do Brasil - no fim do expediente. 
A porta estava fechada. Ao menos era a minha função fechar a porta, mas ela não estava realmente fechada. Entram 3 homens grandes e fortes. Eles queriam o dinheiro e trancaram toda a família (a família que trabalhava no restaurante) no banheiro. 
Como o movimento tinha sido fraco, eles ficaram muito irritados e resolveram descontar as frustrações na gente. Houve algum tumulto e um deles deu um tiro para o teto para assustar a gente. Contudo, o tiro ricochetou e acertou o meu pai. Isso deixou os ladrões assustados que resolveram partir em retirada. Antes de eles fugirem, ainda deram dois tiros a esmo. Os tiros teriam acertado em mim, se minha mãe não tivesse se jogado na minha frente e servido como escudo humano. Ela morreu nos meus braços, com uma cara assustada, mas feliz por eu estar bem.
Enquanto a cena se dissolvia, eu notei que estava chorando lágrimas de sangue. Minha guia olhou para mim e, meio sem jeito, me abraçou e falou no meu ouvido: - Uma das coisas que faz um verdadeiro herói é estar disposto a fazer qualquer o que for necessário para proteger aqueles que ele considera importante. - Após algum tempo, ela continuou – Vamos, está quase acabando.

A última cena não foi realmente uma cena. Foi uma sequência de cenas. Todas elas são de após eu vir morar em Florianópolis. São cenas do meu treinamento com Tengu e Karasu, de reuniões com X,Y,Z, de conversas (que quase sempre terminavam comigo apanhando) com a Flô, idas a Toca do Corvo para conversar com a Rose e a Tora, missões que eu recebia do Ling, entre outras coisas...
Estava ficando quase tonto com tantas mudanças, quando terminamos. Por fim, minha guia (ela deveria ter uns 15 anos e eu a conhecia de algum lugar) disse: - a sua força vem de vários lugares diferentes, descubra como extrair essa força e você se tornará invencível.
Ela ficou em pé, me levantou, me abraçou e disse com um sorriso malicioso: - Estou aguardando ansiosa pelo nosso encontro. - Deu um leve beijo nos meus lábios e completou – Será um encontro inesquecível.
E tudo se dissolveu, inclusive eu e ela.

Crônicas Vampirescas - O Sonho - Pt. 1


Nota: Esse é um pequeno spin-off sobre as aventuras do nosso bom e velho amigo Kuwabara. Á priori, ele não faz parte da história, mas vou tentar convencer o Ton a usá-lo como parte de um sonho (isso ajudará o nosso herói a não ter pesadelos com tentáculos). Esse é o primeiro post que será anunciado no FB. Boa sorte para mim xD

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Abri os olhos e notei que que tinha acordado em qualquer lugar menos na minha cama, ou mesmo, na minha casa. Com uma rápida observação, notei que estava em um local bem exótico.
Me levantei e observei que toda a região é infinitamente plana, com um céu sem nuvens, sem barulhos, apenas as estrelas e uma pálida lua cheia me faziam companhia. Acredito que se não fosse meu auspícios, teria muita dificuldade em seguir qualquer caminho. Sem qualquer critério, escolhi uma direção aleatória e comecei a andar para ver se encontrava alguma coisa. Caminhando, pude perceber que o chão era formado por blocos de algum tipo de pedra quadrangular porosa de um metro de lado. Me pergunto o trabalho que deve ter sido colocar tantas pedras juntas uma do lado da outra.
Após caminhar por horas (ou minutos, pois a lua estava no mesmo lugar), pude avistar ao longe uma região ligeiramente mais clara que as outras. Como se existisse alguma tocha ou fogueira naquele lugar. Como sou da teoria que mesmo uma novidade ruim é melhor do que nenhuma novidade segui em direção à luz.
Depois de uma caminhada que durou horas (ou minutos), pude ver melhor o meu alvo. Parecia ser uma moça sentada na posição tradicional oriental dentro de um círculo de velas. Ao me aproximar mais, pude – graças ao meu maravilhoso auspícios – notar bem os traços dela, bem como deduzir as suas cores, mesmo com a luz rubro-amarelada das velas.
Minha distante amiga tinha cabelo comprido, azul, com um pequeno enfeite vermelho que permitia que um par de mechas ficassem pela frente dos ombros, sua pele era clara e estava usando um yukata azul claro, com uma faixa azul escura e ela parecia estar extremamente concentrada olhando para o distante. Ficando a quase 2 metros dela, percebi mais detalhes que chamavam a atenção: ela parecia não notar a minha presença, os olhos eram profundamente roxos, as mãos dela seguravam com força um pequeno colar em forma de lágrima e - o mais importante de tudo - eu tinha a estranha sensação de já ter visto ela de algum outro onde ou de algum outro quando.
Pensei em esticar a minha mão para tocar na minha nova amiga para tentar entender onde eu estava ou o que estava acontecendo. Quando ia me mexer para realizar essa simples tarefa, uma voz grossa fez eu mudar de ideia. Ela disse: - Não se atreva a colocar suas mãos imundas nela. Já é um ultraje você ter chego tão perto.
Virei para a direção de onde vinha a voz e vi um japonês alto (algo em torno de 1.78), calçando coturno, um conjunto de calça e sobretudo aberto brancos, uma faixa protetora ao redor do abdômen e um topete à la Elvis ruivo. Ele empunhava uma katana cujo o tipo de lâmina eu conhecia bem, contudo a arma dele possuía um brilho alaranjado – em contraste com o brilho azul das minhas ninja-tō. Ele seguiu com a sua intimidação:
- Nenhuma pessoa que tenha não boas intenções deve se aproximar tanto. Então pergunto – ele levantou a sua espada em uma guarda ofensiva – quem são os seus inimigos?
Era a segunda vez que me perguntavam isso e, de novo, eu não tinha certeza da resposta. Quem realmente é meu inimigo? Contra quem realmente eu estou lutando?
- Eu não sei – tentei responder com o máximo de sinceridade.
- Resposta errada.
Ele avançou tencionando dar um golpe verticalmente. Felizmente, para meus reflexos aprimorados tal golpe era fácil de esquivar. Fiz isso desviando lateralmente e invocando minhas armas, o Raio e o Trovão, em forma de espadas ninja. Com tal manobra, ele ficou entre eu e minha amiga mas uma vantagem, pois ele ficou de costas para mim.
Sem perder nenhum tempo, parti para a ofensiva, energizando as minhas espadas e desferindo uma dupla estocada na direção das costas dele. Era um golpe fácil, deixar as costas expostas é um erro e deixar as costas expostas quando o seu adversário é mais rápido do que você é um erro fatal. Bem, ao menos era para o golpe ser fatal, mas de alguma forma ele conseguiu girar em torno do próprio eixo e aparar o golpe. Trocamos mais uns 10 ou 15 golpes com ele sempre aparando ou esquivando de golpes que eu tinha certeza de serem indefensáveis.
Durante uma pequena pausa nos ataques, ele anunciou: - Você se aliou a espíritos fortes, mas você não sabe usá-los e você é fraco. A melhor katana se torna inútil se colocada em mãos de um novato. Por mais que você se ache forte, você continua sendo fraco.
Com essa frase, o estilo de luta dele mudou totalmente. Ele passou a adotar uma postura ofensiva, me atacando fisicamente e  mentalmente com perguntas que eu não sabia como responder.
- Quem é o seu inimigo?
- Por que você luta?
- De que lado você está?
- O que é importante para você?
- De onde você tira a sua força?
- O que você está disposto a sacrificar nessa guerra?

Cada frase era seguida de um golpe. 
Cada golpe era seguido de uma frase. 
A cada frase ou golpe, minhas espadas e meu corpo ficaram mais pesados tornando as esquivas mais difíceis. Quando finalmente, o inevitável aconteceu. Com um golpe, ele conseguiu me desarmar completamente.
Estava diante dele, alto, ruivo e com uma espada energética erguida e prestes a me cortar ao meio. Pensei comigo mesmo, é uma pena morrer antes da guerra começar, mas ao menos morrerei em uma luta.
Senti a lâmina passando pela minha cabeça, o sangue escorrendo dela, meu corpo caindo, tudo escurecendo. Meu derradeiro pensamento antes de morrer foi que finalmente minha amiga tinha notado minha presença e me fitado com os olhos roxos.